Com a bagunça política e social em que o Brasil se encontra há uma dúvida constante por parte de uma parcela da sociedade - mais instruída e que sabe da importância do assunto - em relação à real situação da pesquisa e inovação em nosso país: afinal, existem investimentos nessa área? Para responder essas dúvidas, a seguir apresenta-se um breve resumo do cenário atual e o impacto do mesmo na geração de renda e qualidade de vida da população brasileira. Abordar o presente tema sem que se tenha uma referência ou um parâmetro gera margem à subjetividade em função de sua amplitude e das várias correntes de pensamentos existentes, cada qual defendendo sua opinião e seus interesses, umas dizendo que há investimentos e que a pesquisa no Brasil vai bem, e outras dizendo o contrário. Isso é normal e faz parte de uma sociedade democrática. O objetivo do presente artigo é mostrar, de forma neutra e técnica, a real situação da pesquisa e Inovação em nosso País, buscando uma correlação com o IDH - Indície de Desenvolvimento Humano - do Brasil e o IMD - World Competitiveness Scoreboard .

O IDH foi criado em 1990 pelos economistas Amartya Sen e Mahbub Ul Hag. Em 1993 foi incorporado ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). É calculado com base em dados econômicos (PIB per capita) e sociais (expectativa de vida ao nascer e educação). Assim, este índice deixa de lado outros indicadores até então muito utilizados para avaliar o desenvolvimento de uma nação, como o PIB per capita, que considera apenas a dimensão econômica do desenvolvimento. A cada ano, os países membros da ONU são classificados de acordo com o índice alcançado, que pode variar de 0 a 1, sendo que quanto mais próximo de 1 maior é seu índice de desenvolvimento humano. Tem-se, então, as seguintes faixas: Muito Alto Desenvolvimento Humano para IDH entre 0,800 e 1,000, Alto Desenvolvimento Humano para IDH de 0,700 à 0,799, Médio Desenvolvimento Humano de 0,550 à 0,699 e Baixo Desenvolvimento Humano de 0,000 à 0,549.

No Ranking IDH Global de 2014 (Fonte: Relatório de Desenvolvimento Humano de 2015), em primeiro lugar, considerada como Muito Alto Desenvolvimento Humano, está a Noruega, com IDH de 0,944. Alemanha aparece na sexta posição com IDH de 0,916 e Estados Unidos em oitavo lugar, com IDH de 0,915. O Brasil aparece na posição de número 75, com IDH de 0,755, considerado como Alto Desenvolvimento Humano. É interesante observar que o Uruguay, que é um país que vive do Agronegócio, está na posição de número 52, com IDH de 0,793, mostrando um Indice de Desenvolvimento Humano muito superior ao da China, que, como todos nós sabemos, gera muita riqueza, produz muito bens manufaturados, de indústria forte, mas que explora sua mão-de-obra, aparecendo na posição de número 90, com IDH de 0,727. Na última posição, de núermo 188, está a Nigéria, com IDH de 0,348, e, portanto, considerada como Baixo Desenvolvimento Humano.

Seria interessante buscarmos uma correlação entre pesquisa e invoação com o IDH e escores de competitividade como o IMD.

Em termos de competitividade, conforme citada no IMD de 2016 – www.imd.org - a China aparece em 1º lugar com um escore de 100,00 pontos. Em segundo lugar está a Suiça com 98,018 pontos, em terceiro os Estados Unidos com 97,881. A Noruega aparece em 4º lugar com 90,054 pontos. O Brasil aparece na 57ª posição, com 51, 676 pontos, caindo uma posição em relação à 2015. Ficamos atrás, por exemplo, de Países como a Colõmbia que consta na posição de número 51, com 58,293 pontos, do total de 61 economias mundiais listadas.

Uma nação, para ser competitiva, precisa preencher uma série de requisitos, sendo que um destes é o investimento em pesquisa e inovação. Portanto, fica bem claro que o Brasil está longe de ser competitivo também em função da falta de investimentos nessa área.

Constata-se que são necessárias várias ações para evoluirmos significativamente em termos de pesquisas relevantes em nosso país. Precisamos reduzir custos dos materiais utilizados nas pesquisas, aumentar os investimentos em infraestrutura, fazer com que as Empresas invistam mais em pesquisa e trabalhem unificadas com as instituições de ensino, fortalecendo a parceria público/privada, dentre outras ações.

É necessário discutir qual o caminho a ser seguido para que tenhamos um país mais justo, com melhores condições de vida, investindo constantemente em pesquisa, visando também agregar valor ao que se produz no Brasil. A final, qual é o caminho a ser seguido?